Academicos da Academia de Letras do Brasil/ Paraná

domingo, 3 de janeiro de 2010

Francisco Sinke Pimpão (O Dia em que a Muiraquitã virou Gente)


Quando um escritor escreve um romance, ele faz um ofício de fé, pois uma vez lançada a idéia, por meio de enredo há muito tempo engendrado, não a segura mais, pois a palavra é mais forte do que um tiro de canhão ou o ferimento de um punhal, fere aqui, ali, acolá e continua ferindo sempre. Por isso, ao se tomar uma iniciativa de tal ordem, há que se ter o cuidado para que ela seja o portador da paz, concórdia e harmonia, levando a mensagem diretamente aos corações dos leitores. Em outras palavras, o autor deve ter em mente que lançar um livro é como mandar um filho para a guerra, através do mar proceloso.

A trama está bem ordenada, de forma a prender a atenção e o interesse do leitor. No conteúdo, o livro transmite preciosas lições de vida, úteis a todos, acima de tudo pelo poder dos exemplos.
O novel romancista, possuidor de notáveis atributos intelectuais, oferece aos leitores uma agradável e profícua leitura. Oxalá seja esta a primeira de muitas obras literárias. Parabéns ao autor, pela qualidade de seu trabalho.
(Valter Martins de Toledo)

O livro conta a história de João Batista Souza Lino Sotto Maior, filho de imigrantes portugueses estabelecidos no Brasil em fins do século XIX, tradicional família ligada ao ramo da tecelagem. Inteligente, bem educado e culto, João decide ser médico a tomar a frente dos negócios da família. A princípio contrariado, seu pai vê com orgulho o sucesso e o reconhecimento do filho, no Brasil e no exterior, como um grande cirurgião. Uma tragédia pessoal vai mudar de maneira drástica o destino desse homem apaixonado pela vida e pela profissão. Abandonando tudo que construíra e deixando de lado tudo aquilo em que acreditava, João vai se embrenhar e buscar refúgio nos confins da Amazônia, muito distante daquilo que comumente chamamos civilização. É nesse cenário, povoado por lendas e histórias que o povo da região ribeirinha acredita que João vai viver sua maior aventura. Da resistência ao passado, que o transformara num homem rude e cético, ao reencontro com a vida e com o amor, João verá, mais uma vez , seu destino ser mudado pela presença de uma mulher; menina-moça inocente e pura, que irá confrontá-lo com suas dores, pecados e mazelas.

Francisco Sinke Pimpão

Francisco José Sinke Pimpão, nascido em Curitiba no ano de 1953, é Bacharel em Administração e sócio de uma empresa de consultoria. Nos últimos anos tem-se dedicado ao estudo e aplicabilidade da Gestão de Processos nas Organizações, fruto de 27 anos de atuação no mercado. Com pós-graduação em Marketing e tendo concluído diversos cursos no Brasil e exterior, escreveu diversos artigos publicados em livros e revistas especializadas. Atualmente é redator e coordenador de web sites.

Folclore Indigena (Muiraquitã)

Muiraquitã é um amuleto indígena. Segundo a lenda era retirado sob a inspiração de Iaci (lua) do fundo de um lago denominado Espelho da Lua (Iaci-uaruá) na proximidade das nascentes do rio Nhamundá, perto do qual habitavam as índias Icamiabas, nação das legendárias mulheres guerreiras que os europeus chamaram de Amazonas (mulheres sem marido). O lago era consagrado à Lua, pelas Icamiabas, onde anualmente realizavam a Festa de Iaci, divindade mãe do Muiraquitã, que lhe oferecia o precioso amuleto retirado do leito lacustre. Oferecido pelas guerreiras amazonas aos índios da aldeia vizinha, os guacaris, logo após acasalarem em noites de lua cheia. Depois do acasalamento, pouco antes da meia-noite, com as águas serenas e a Lua refletida no lago, as índias nele mergulhavam até o fundo para receber de Iaci os preciosos talismãs, com a configuração que desejavam, recebendo-os ainda moles, petrificando-se em contato com o ar, logo após saírem d’água

Uma versão da fábula diz que os rebentos do sexo masculino nascidos dessa união eram entregues aos guacaris. As meninas permaneciam com a tribo feminina. O amuleto conferia status e poderes mágicos ao seu possuidor. Bem pequenos e, por isso mesmo, alvo fácil de roubos e contrabandos, os muiraquitãs, quase sempre confeccionados em rochas esverdeadas, tinham em geral forma de sapos. Mais raramente, podiam ser talhados também em rochas brancas, em formatos de morcegos, peixes e homens.

Fontes:
http://www.abrasoffa.org.br/folclore/lendas/muiraquita.htm
http://portalamazonia.globo.com/
– Francisco Sinke Pimpão .O Dia em que a Muiraquitã virou Gente. Curitiba: Pro Infanti, 2009.
http://www.proinfantieditora.com.br/

sábado, 2 de janeiro de 2010

Emílio de Menezes (Pinheiro Morto)


Ao Paraná

Nasceste onde eu nasci. Creio que ao mesmo dia
Vimos a luz do sol, meu glorioso irmão gêmeo!
Vi-te a ascensão do tronco e a ansiedade que havia
De seres o maior do verdejante grêmio.

Nunca temeste o raio e eu como que te ouvia
Murmurar, ao guaiar da fronde, ao vento: - "Teme-o
Somente o fraco arbusto! A rija ventania,
Teme-a somente o errante e desnudado boêmio!

Meu vulto senhorial queda-se firme. Embala-mo
O tufão e hei de tê-lo eternamente ereto!
Resisto ao furacão quando a aura abate o cálamo!"

Ouve-me agora a mim que, em vez de ti, vegeto:
Já que em ti não pesei, entre os fulcros de um tálamo,
Faze-te abrigo meu nas entraves de um teto!
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Fontes:
MENEZES, Emílio de. Obra Reunida. RJ: José Olympio 1980.
Foto de Tiago Duarte (Pinheiro Morto)

Nei Garcez (Curitiba) - Trova


Resposta no final da página

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas

Comemora0043

Desejo a todos Boas Festas e que o ano de 2010 seja repleto de harmonia e felicidade.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sinclair Pozza Casemiro (Peregrinação)


Peregrinação no Caminho de Peabiru

Vejo a pedra que rola
Querendo ganhar o mundo
Sendo que foi feita pra ficar.
Vejo o barro que se prende nas rodas de um móvel,
Nos pés calçados ou não do caminhante, traindo seu destino de ficar.
Não sei se sabem que estão buscando além do que podem
E do que lhes foi destinado.
Mas sei que a pedra acaba indo longe
Nas construções, nas estradas asfaltadas…
O barro se espalha e se vai…
Sou peregrina que anda
Nos quilômetros deste chão de tantas cores,
De tantas formas, cheiros e marcas,
E estou presa na sua extensão, passo a passo.
Mas, como as pedras e o barro,
Meus sonhos se vão
Construindo e edificando longe…
Se espalhando feito pó na imensidão do possível.
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TROVAS

Busca-se ainda o Caminho,
vive-se a doce ilusão
de um mundo feito carinho,
que ao fraco não negue o pão.

Pediram-me lá uma trova
Preciso, pois, de emoção,
Mas vive tão só e sem novas
Meu pobre e infeliz coração!
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Fontes:
Colaboração de Nei Garcez.
http://www.caminhodepeabiru.com.br/
http://zuboski.blogspot.com/

Sinclair Pozza Casemiro


Possui graduação em Letras Anglo Portuguesa pela Universidade Estadual de Maringá [UEM] (1976), mestrado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho [UNESP] (1995), doutorado em Letras, Área de Filologia e Lingüistica Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho [UNESP] (2001) e pós-doutorado em Letras pela Universidade de São Paulo [USP].

Coordenadora de Pesquisa do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM – NECAPECAM, com sede em Campo Mourão, pesquisadora pelo CNPq da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão - FECILCAM

Foi diretora e vice-diretora da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão, FECILCAM, Brasil.

É Professora da Comunidade dos Municípios de Campo Mourão, COMCAM

Prêmios e títulos

- 2004 Certificado, Secretaria de Estado da Ciência,Tecnologia e Ensino Superior do Paraná.
- 2003 Honra ao Mérito, FECILCAM.
- 2003 Certificado, FECILCAM - Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão.
- 2003 Certificado de Honra ao Mérito, Conselho Departamental da FECILCAM - Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão.
- 2003 Certificado, Coordenação do Curso de Letras, Universidade Paranaense - UNIPAR.
- 2003 Certificado, Universidade Estadual de Londrina. - UEL
- 2003 Palmas para Elas - Mulher Especial, Fundação Cultural de Campo Mourão.
- 2002 Menção Honrosa - Mulheres Destaque 2002, Secretaria Especial de Cultura do Município de Campo Mourão.
- 1998 Cidadã Benemérita de Campo Mourão, Prefeitura Municipal de Campo Mourão.
- 1994 Certificado, Departamento de Linguística da Faculdade de Ciências e Letras de Assis.
- 1994 Certificado, Auditório da FECILCAM e FUNDACAM.
- 1992 Certificado, Departamento de Letras do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes.
- 1991 Certificado, UNIFRAN.
- 1991 Certificado, Departamento de Letras da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Guarapuava.

Entidades a que pertence

– Cadeira n.14 da Academia Mourãoense de Letras.

– Delegada municipal por Campo Mourão da União Brasileira dos Trovadores/PR

– Coordenadora de pesquisas do NECAPECAM - Núcleo de Estudos e Pesquisas Sobre o Caminho de Peabiru na região de Campo Mourão (COMCAM), sua equipe realiza um trabalho de resgate da história da trilha indígena conhecida pelo topônimo “Caminhos de Peabiru” . Trata-se de uma rede pré-colombiana de caminhos indígenas, cuja extensão, pelos estudos que se vêm realizando, é bastante polêmica. Para Rosana Bond, estudiosa do tema, ela pode chegar a mais de três mil quilômetros, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico (São Vicente ao Peru). Há historiadores que contestam essa hipótese e o NECAPECAM se debruça sobre as mais diferentes hipóteses para melhor conhecer a história dessa milenar rota. Algumas das conclusões a que chegaram os seus pesquisadores são as de que, baseando-se nas pesquisas arqueológicas de Igor Chmyz, da década de 1970, na região da COMCAM, onde se realizam as peregrinações, o Peabiru foi construído pelos Itararés (do grupo Macro-GÊ); e, baseando-se nos depoimentos de descendentes do povo guarani, suas trilhas foram utilizadas, entre outras formas, pela nação guarani em sua migração em busca da Terra Sem Mal.

Produção bibliográfica

Artigos publicados em periódicos

– Estudos sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM. Compêndio sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM, Campo Mourão, v. 2, p. 10-25, 2005.
– Estudos Literários de Campo Mourão. Compêndio da Academia Mouraoense de Letras, Campo Mourão, v. 1500, p. 147-160, 2004.
– A lingua portuguesa como disciplina. X CELLIP, Londrina, 2003.
– Linguagem-lingua-fala-discurso-letras. III SIC- Semana de Iniciação Científica, Campo Mourão, v. III, p. 109-118, 2002.

Livros publicados/organizados

– (Organizadora). 2º Compêndio da Academia Mourãoense de Letras Vida & Liberdade - O Caminho De Peabiru A Terra Sem Mal E Os Guaranis. 1. ed. Campo Mourão: UNESPAR/FECILCAM, 2006. v. 1. 172 p.

- Causos do Coração do Paraná – por entre as beiras do Ivaí e do Piquiri. Editora Sisgraf, 2005.

– Pequeno Vocabulário comentado de usos lingüísticos no Projeto Caminhos de Peabiru da COMCAM. 1ª. ed. Campo Mourão: UNESPAR/FECILCAM - Campo Mourão, 2005. v. 500. 30 p.

– (Organizadora). Compêndio do Simpósio Caminho de Peabiru. 1. ed. CAmpo Mourão: UNESPAR/FECILCAM, 2005. v. 500. 272 p.

– Pequeno Vocabulário comentado de usos lingüísticos no Projeto Caminho de Peabiru da COMCAM. 2ª. ed. Campo Mourão: UNESPAR/FECILCAM - Campo Mourão, 2005. v. 500. 45 p.

– (Organizadora) . Caminho de Peabiru projeto de resgate -Compêndio sobre o Caminho de Peabiru na COMCAM Micro-Região 12 do Paraná.O Silêncio E As Vozes Sobre O Caminho De Peabiru Nos Discursos Da História Da Comcam- Micro Região 12. 1. ed. Campo Mourão: NECAPECAM, 2005. v. 1. 209 p.

– Enquanto conto, encanto o conto - lendas, contos e rumores de Campo Mourão. 1ª. ed. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 2004. v. 5000. 100 p.

– (Organizadora). Compêndio da Academia Mourãoense de Letras. 1ª. ed. Campo Mourão: UNESPAR/FECILCAM, 2004. v. 1. 182 p.

– (Organizadora). IV Semana de Iniciação Científica. 1. ed. Campo Mourão: FECILCAM-Campo Mourão, 2003. v. 1. 540 p.

– Caminhos In versos. 3ª. ed. Curitiba: Francisco Pinheiro, 2002. v. 1000. 110 p.

– Um olhar sobre a língua...Portuguesa? A formação do Professor como desafio. 1ª. ed. Campo Mourão: Unespar, 2001. v. 800. 101 p.

– Novos Conteúdos Para O Curso De Letras Na Terminalidade De Formação Do Professor De Língua Materna.. 1. ed. Assis: UNESP, 2001. v. 1. 281 p.

– Amigos da Poesia. 1ª. ed. Campo Mourão: Kromoset, 2000. v. 600. 80 p.

– Caminhos In versos. 1ª. ed. Curitiba: Francisco Pinheiro, 1997. v. 1000. 110 p.

– Emprego Dos Verbos Ter E Haver. 1. ed. Assis: Universidade Estadual Paulista/Assis-SP, 1991. v. 1. 84 p.

– A Informática E A Estatística Na Língüística. 1. ed. Assis: Universidade Estadual Paulista"Julio De Mesquita Filho", 1991. v. 1. 34 p.

Diversos textos em jornais de notícias/revistas
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Mais informações sobre
Caminho de Peabiru pode ser obtido em http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/11/o-caminho-de-peabiru.html
Terra sem Mal em http://singrandohorizontes.blogspot.com/2008/04/lenda-indgena-em-busca-da-terra-sem-mal.html
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Fontes:
Currículo Lattes.
Dados adicionais e atualizados fornecidos pela Escritora.
SARTORI, Rubens Luiz. Compêndio da Academia Mourãense de Letras.2004.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pavilhao Literario Cultural Singrando Horizontes


Conheça o Pavilhão

poesias - contos - cronicas - trovas - haicais - poetrix - artigos - biografias - folclore - notícias - concursos - dicas de redação - dicas de portugues - a nova ortografia, e muito mais...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Apollo Taborda França (O Trovador e sua Trova)



Com garra de trovador,
Vou seguindo meus caminhos...
Venturoso e com amor,
Num roseiral sem espinhos!

Cai a tarde, fico triste,
Pressuroso como o quê...
O coração não resiste
A saudade de você!

Poeta diz sempre o que quer,
Na verdade ou de impulsão...
Tenho certeza e assim penso,
Com você e sem vaidade!

Disse adeus à virgindade,
Optou, em seus dilemas...
Quis amar com pouca idade:
– Está cheia de problemas!

Pelas ruas da cidade,
Encontrei com Jesus Cristo...
– Faze e prega a caridade,
Para o Céu bem chega isto!

Curitiba é chão de amores,
Toda feita de candura…
O seu perfume é de flores,
Deus namora lá na Altura!

A Trova não morre nunca,
Retempera a humanidade
E vence a tristeza adunca,
Alegrando a mocidade!

Sete sílabas por cima
Com idéia sempre nova,
E cadência, boa rima,
Numa quadra…a bela Trova!

Sou trovador, tenho senso
Da importância da poesia:
Encerra tudo o que penso,
Realidade e fantasia.

Uma Trova pra ser boa,
Expressiva, universal,
Na mensagem apregoa
A cultura e a moral!

Quem tem estro e tem cultura
E se inclina à poesia,
Vai na Trova com lisura,
Cheio de graça e estesia!

Uma Trova…um belo tema,
Pra dizer o que se quer;
Quando o poeta é bom, da gema,
Inspira-se…na mulher!

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Sobre o Autor:

Apollo Taborda França, nasceu em Curitiba, capital do estado do Paraná, onde reside. Filho de Heitor Stockler de França e Brasília Taborda Ribas de França. Fez cursos primário e ginasial no Instituto Santa Maria, dos Irmãos Maristas. Posteriormente em Direito pela Universidade Federal do Paraná, em Jornalismo pela Universidade Católica (hoje PUCPR), ainda em Curso Técnico de Construção de Máquinas e Motores, pela Escola Técnica Federal do Paraná que agora está transformada em Universidade; e se formou em Ciências Econômicas.

Possui 17 livros publicados, em prosa e em verso. Inclusive cinco de Trovas. Passou a fazer versos naturalmente, talvez por influência sangüínea, uma vez que seu pai Heitor Stockler de França era escritor, poeta, jornalista e advogado e seus irmão também fazem poesias e trovas. Suas composições literárias foram publicadas em jornais, especialmente em livros e coletâneas impressas em São Paulo e Rio de Janeiro, etc.

– Cadeira n.36 da Academia Paranaense de Letras
– Cadeira n.38 da Academia de Letras José de Alencar
– membro do Centro de Letras do Paraná
– membro do Círculode Estudos Bandeirantes
– Presidente da UBT/Curitiba 1984/86 e 1990/92.
– membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense

Publicações:
– Poesia (em colaboração)
– Sinfonia da Rua 15
– A lua escorregou pela parede
– Festa de amores– O nosso alfabeto
– Praças de Curitiba
– Constelação dos bairros de Curitiba
– Os nossos pés de todos os dias
– MPPr – Movimento Poético Paranaense
– Poesia do Paraná

Fontes:
– Antologia dos Acadêmicos: edição comemorativa dos 60 anosda Academia de Letras José de Alencar. São Paulo: Scortecci, 2001.
– Carlos Leite Ribeiro. Portal CEN.
– Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky (organizadores). Antologia de Trovadores do Paraná. Curitiba: O Formigueiro – Instituto Assistencial de Autores do Paraná, 1984.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Olga Agulhon (Olga em Trovas)


Mil sonhos num embornal,
tantas pedras no caminho...
Era a sina do “imortal”
que nunca encontrou seu ninho.

Tremenda surpresa aguarda
o marido certo dia:
- na cama dele uma farda,
dentro do armário o vigia!

Neste mundo conturbado,
todos nós, mesmo os ateus,
temos encontro marcado
no fim da vida, com Deus.

Quando o amor fica em ruína,
sem chão, paredes... ou teto,
o alicerce nos ensina
que só o carinho é concreto.

Carrego pouca bagagem
porque, na vida, aprendi
que, mesmo longa a viagem,
preciso apenas de ti.

Viajei pelo mundo inteiro
e nunca mais pude achar
o que no instante primeiro
encontrei em seu olhar!

Não a agüentou... fez no mato;
estava cheia a bexiga...
Quanta má sorte! Que chato!
Era uma moita de urtiga...

Tamanha “sorte” me arrasa
que, se concorro sozinha,
o carteiro troca a casa,
e entrega o prêmio à vizinha.

As dores e os desencantos,
lancem ao pó das estradas...
- Façam dos lares recantos
que lembrem contos de fadas!

Meus sonhos não morrerão!
São em verso eternizados.
Não deixe os seus, meu irmão,
em baús, abandonados.

Na roça em trabalho duro
aos filhos sonhou bem mais...
- Pra colher melhor futuro
plantou livros e jornais!

Se esta terra é "mãe gentil"
e a vida nos nega o pão,
é porque falta ao Brasil
investir na Educação.

Natal! A ceia na mesa
e os presentes que trocamos
não refletem a grandeza
da data que celebramos.

Como enchente, o amor invade
as margens do coração...
- Quando passa a tempestade,
só nos sobra a solidão!

Diante do encanto desfeito
por promessas não cumpridas,
eu sempre encontro outro jeito
de entrelaçar nossas vidas.

Quando é longa e dura a estrada,
nós sempre aprendemos tanto,
que as conquistas, na chegada,
têm sempre o dobro do encanto
.
Anda nua pelo quarto,
provoca, e diz que não quer...
- E o marido? – Esse anda farto...
das pirraças da mulher.
--------

Fonte:
A Autora

Olga Agulhon (1965)


Olga Agulhon é filha dos agricultores Dimaura e João Agulhon. Nasceu em 6 de dezembro de 1965, em Assis – SP, mas a família já morava no sítio Rica Fé, município de Sertaneja, Paraná. Em 1970, mudaram-se para a fazenda São João, em Ivatuba, ainda de propriedade da família.

Em 1972, em Maringá, iniciou seus estudos no Colégio Estadual Brasílio Itiberê (grupo escolar, naquela época). Estudou ainda no Instituto estadual de Educação de Maringá e no Colégio Regina Mundi, onde ingressou na sexta série e concluiu, em 1983, o segundo grau.

Em 1984, ingressou na Universidade Estadual de Maringá (UEM), no curso de Agronomia, que interrompeu após dois anos, quando nasceu sua primeira filha. Formou-se em Pedagogia, com Láurea Acadêmica de Graduação, pela UEM, no primeiro semestre de 1990.

Em 1994 terminou o curso de Especialização em Literatura Brasileira, do Departamento de Letras (UEM), fazendo a defesa da monografia com o título “A fábula no livro didático”.

Foi professora particular e da rede municipal de ensino de Maringá, diretora da Creche e Pré-escola Alziro Zarur, da LBV; e coordenadora pedagógica da Pré-escola Primeiro Mundo.

Participando ativamente da vida cultural da cidade desde o início da década de 1990, já foi comentarista em mostras de vídeo, jurada de concursos de poesias, e já fez dezenas de palestras em escolas de Maringá e região, falando sobre seus livros, sobre leitura e literatura.

Fez parte da antiga UEMA - União dos Escritores Maringaenses, do Clube dos Trovadores de Maringá, da Sociedade de Cultura Latina do Paraná e da Sala do Poeta de Maringá.

É membro da União Brasileira de Trovadores (UBT) e membro da Academia de Letras de Maringá (ALM), fundada em 7 de setembro de 1997, onde ocupa a cadeira nº. 24, que homenageia Lygia Fagundes Telles. Exercendo o cargo de secretária-geral desde setembro de 2003, foi eleita presidente da ALM em 06 de abril de 2008, em virtude do falecimento de Antonio Facci.

Tem poesias, trovas e contos publicados em várias coletâneas, revistas e jornais literários, sites e comunidades do orkut, bem como várias premiações em concursos literários, especialmente na modalidade trova.

Em 1991 publicou o livro de poesias “Delírios”.

Com o espírito de educadora e a paixão pelos contos de fadas, escreveu, em 1998, o livro infanto-juvenil “As três estatuetas de bronze”, que somente conseguiu publicar no final de 2000.

Segundo a bibliotecária Zery Monteiro, o livro “é uma história de magia e encantamento, escrita de forma clara e concisa, que aguça nossa sensibilidade para decifrar a diferença entre o verdadeiro e o aparente”.

Depois de fazer sucesso com o gênero infanto-juvenil, a autora voltou-se novamente para os poemas e, cheia de inspiração, transformou seu livro “O Tempo”, publicado em 2003, numa obra que nos leva a uma reflexão após a leitura de cada página, abrindo nossa mente para as muitas janelas do tempo e da alma.

Seu livro "O Tempo" também foi lançado no Centro Cultural Brasil-Espanha de Curitiba/Agência Espanhola de Cooperação Internacional.

Não conseguindo abandonar nem o conto nem a poesia, Olga Agulhon lançou, em 2004, o livro de contos “Germens da Terra”, agora em sua segunda edição.

Olga Agulhon é casada com o engenheiro civil e agricultor Antonio Molonha; e tem duas filhas: Ana Carla e Isabela.

Além de pedagoga, escritora, presidente da Academia de Letras de Maringá, esposa, mãe e dona-de-casa, Olga também é produtora rural e coordenadora do Núcleo Feminino Cocamar - Maringá.

De família pioneira na região, atua profissionalmente como agricultora/produtora rural, sendo associada do Sindicato Rural Patronal e da Sociedade Rural de Maringá, e cooperada da COCAMAR - Cooperativa Agroindustrial.

Participações

– Participação na Oficina de Literatura Infantil – Análise da Obra “O PATINHO FEIO”, de Hans Christian Andersen, ministrada pela bibliotecária Zeri Monteiro, em 1995.

– Participação na Oficina de Haikai, promovida pela Academia Cascavelense de Letras, em maio de 2008, em Cascavel – PR, ministrada pela professora mestre e escritora Áurea da Luz, membro da Academia de Letras, Artes e Ciências de Guarapuava.

– Participação, como acadêmica e presidente da Academia de Letras de Maringá, no Encontro das Academias de Letras do Estado do Paraná, em Cascavel, nos dias 09 e 10 de maio de 2008.

– Tem artigos, com temas relacionados à Educação e Cultura, publicados nos jornais Hoje e O Diário do Norte do Paraná, revistas e jornais literários independentes, sites e blogs de literatura, arte e cultura.

– Palestrante no tema “Fábulas”, na Semana Nacional do Livro e da Biblioteca.

– Participação, como jurada, nos Concursos de Poesias promovidos pela Escola Estadual “Zuleide Saways Portes” e Secretaria de Cultura / Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural / Biblioteca Municipal Pioneiro “Nilo Gravena” (Jardim Alvorada), em comemoração ao Dia do Escritor / Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, em:
1994 (II Concurso de Poesias), 1995 (III Concurso de Poesias), 1997 (V Concurso de Poesias), 1998 (VI Concurso de Poesias), 2002 (X Concurso de Poesias), 2004 (XII Concurso de Poesias).

– Participação no “Dia da Mulher”, em 2001, falando sobre o ato de escrever e apresentando o livro “As três estatuetas de bronze”.

– Participação na comemoração ao Dia Nacional do Livro Infantil através do “Encontro com a escritora Olga Agulhon”, realizado em 2001, com a participação de escolas estaduais.

– Palestrante no “Dia Nacional do Livro Infantil”, promovido pela Biblioteca Municipal e Secretaria de Educação e Cultura de Mandaguaçú, em 2001.

– Participação na comemoração do 14º aniversário da Biblioteca Municipal Professora “Tomires Moreira de Carvalho”, com o evento “Encontro com a escritora Olga Agulhon”, realizado em 2001.

– Palestrante, na I Semana Cultural de Terra Boa, realizada em 2001. Tema da palestra: Literatura Infantil

– Manhã de autógrafos na Livraria Campus, do Cesumar, divulgando o livro “As três estatuetas de bronze”, que foi adotado e estudado pelos alunos das 5ª séries do Colégio Objetivo.

– Palestras sobre a importância da leitura para os alunos do CEEBEJA, de Sarandi – PR, em 2001 e 2002.

– Participação, como escritora homenageada, no “Sarau da Cidade”, promovido pela Prefeitura de Maringá / Secretaria de Cultura; e coordenado pelo professor de teatro Tisley Barbosa, no teatro Calil Haddad.

– Palestras e bate-papos informais sobre literatura e o ato de escrever com alunos de diversas escolas de Maringá e região, a partir do ano 2000.

– Coordenação geral do “Concurso Ary de Lima”, 2002/2003, de trovas, contos e poesias, promovido pela Academia de Letras de Maringá, que recebeu um total de 902 textos da lavra de 320 escritores de 18 Estados brasileiros e de Portugal.

– Como parte do projeto cultural “O Tempo”, a autora realizou, entre maio e junho de 2003, dez palestras e bate-papos em escolas públicas municipais e outras em escolas estaduais.

– Contos, poemas e trovas publicados pela Revista BALI (Boletim Acadêmico de Letras Itaocarenses), e outros jornais, revistas e sites literários do Brasil e Portugal.

– Noite de autógrafos, com o livro “O Tempo”, no dia 19 de setembro de 2003, no Espaço de Cultura do Centro Cultural Brasil-Espanha de Curitiba, a convite de Luiz Arthur Montes Ribeiro, Curador Oficial do referido centro cultural.

– Coordenação geral do Concurso Literário “Cidade de Maringá”, 2004, de trovas, poemas livres, crônicas e sonetos, promovido pela Academia de Letras de Maringá.

– Jurada, no III Concurso de Poesias “Prêmio Helena Kolody”, no município de Terra Boa, realizado nem 2004.

– Coordenação geral do III Concurso Literário “Cidade de Maringá”, 2006/2007, de trovas, poemas livres, crônicas e sonetos, promovido pela Academia de Letras de Maringá.

– Participação com declamação de poemas, exposição de livros e montagem de varal de poesias de sua autoria no 1º. Intercâmbio Cultural Entre Cooperativas (ITC), em 2007.

– Participação no processo de seleção dos trabalhos premiados no III Varal de Poesias da UNIFAMMA, em 2008, durante o 1º Ciclo de Estudos Integrados UNIFAMMA.

PREMIAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

– Terceiro lugar no Concurso de Livros de Poesias promovido pela Sociedade de Cultura Latina do Paraná, em 1991.

– Menção Honrosa (4º. Lugar) no Concurso Literário “Contos de uma Noite de Natal”, promovido pela Casa do Poeta de Santos e Elos Clube de Santos, em 1995.

– Vencedora no XXI Jogos Florais de Bandeirantes, em 2004, Âmbito Estadual, tema IMORTAL (lírico/filosófico).

– Menção honrosa no XXII Jogos Florais de Bandeirantes - 2005, Âmbito Estadual, tema SURPRESA (humorístico).

– Menção honrosa, no VIII Jogos Florais do Rio de Janeiro – Âmbito Nacional, 2006, tema ENCONTRO (L/F).

– Menção Honrosa – 4º lugar – VI Concurso de Trovas “Cidade de Pirapetinga” – MG – 2006, tema CARINHO (L/F), Âmbito Nacional.

– Premiada, com duas trovas vencedoras, no XXIII Jogos Florais de Bandeirantes – 2006, Âmbito Estadual, tema VIAGEM (L/F).

– Menção Honrosa + Menção Especial, no XXIII Jogos Florais de Bandeirantes – 2006, Âmbito Estadual, tema SORTE (humorístico).

– 1º. Lugar, no I Concurso Comunidade “Sou Trovador” (Orkut), em 2006. Mote: “As dores e os desencantos”.

– Várias outras premiações em concursos de trovas e poesias pela internet, através das Comunidades “SOU TROVADOR” e “POESIAS LAC”, em 2006 e 2007.

- 8º. Lugar no 1º. Concurso de Trovas pela Internet, promovido UBT - União Brasileira de Trovadores – Delegacia de Roseira – SP. Tema: Enchente:

Vencedora + Menção Especial, no XXIV Jogos Florais de Bandeirantes – 2007, Âmbito Estadual, tema ENCANTO (L/F).

– Vencedora, no XXIV Jogos Florais de Bandeirantes – 2007, Âmbito Estadual, tema PIRRAÇA (humorístico).

LIVROS PUBLICADOS

1. “DELÍRIOS” (poesias). 1991. Edição da autora. Prefácio de Dari Pereira. Comentário da contracapa de Agenir Leonardo Victor.

2. “AS TRÊS ESTATUETAS DE BRONZE” (infanto-juvenil). 2000. Edição da autora.
Comentários de Adrian Oscar Dongo Montoya (professor universitário, doutor em psicologia), Zery Monteiro (bibliotecária, especialista em literatura brasileira), Galdino Andrade (advogado, presidente da Academia de Letras de Maringá), Antonio Augusto de Assis (professor universitário, membro da ALM) e Altamiro Avelino da Silva (graduado em letras, membro da ALM).

Pelo lançamento deste livro recebeu elogios do presidente da Academia Paranaense de Letras, Túlio Vargas, de escritores de outros Estados; e um voto de congratulação da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, proposto pelo Deputado Estadual Ricardo Maia.

O livro “As três estatuetas de bronze” passou a fazer parte do acervo da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – Seção Brasileira do IBBY, foi trabalhado em sala de aula em diversas escolas públicas e privadas de Maringá e região e foi escolhido para um projeto de leitura elaborado pela Secretaria de Educação e Cultura de Terra Boa - PR, envolvendo o estudo de diversas disciplinas a partir de sua leitura e das questões levantadas por seu conteúdo.

3. “O TEMPO” (poesias). 2003. Edição da Autora.
Prefácio de Antonio Facci (presidente da ALM), “orelhas” de Sildemar José de Barros e Jaime Vieira (professor graduado em letras, membro da ALM).

O livro “O Tempo” é citado na Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Maringá para obtenção do título de Mestre em Letras na área de Estudos Literários da aluna Ângela Enz Teixeira, sob orientação da Profª.Drª. Rosa Maria Graciotto Silva, nas páginas 83, 88 e 155, sendo apontado como o livro mais lido e como obra inesquecível de acordo com alunos de uma turma de escola municipal de Maringá.

4. “GERMENS DA TERRA” (contos). 2004. Edição da autora. Prefácio de A. A. de Assis, posfácio do Cônego Benedito Vieira Telles, “orelhas” de Neide Rocha Portugal, Sebas Sundfeld (Tambaú-SP) e Zery Monteiro; texto da contracapa de Maria Eliana Palma; comentários dos acadêmicos Antonio Facci, Jeanette Monteiro de Cnop, Florisbela Margonar Durante e Francisco Jorge Ribeiro.

PARTICIPAÇÃO EM COLETÂNEAS

- COLETÂNEA DA ACADEMIA DE LETRAS DE MARINGÁ – 1999 (com um conto e uma poesia);

- COLETÂNEA DA ACADEMIA DE LETRAS DE MARINGÁ – 2002 (com duas poesias);

- COLETÂNEA DA ACADEMIA DE LETRAS DE MARINGÁ – 2004 (com dois contos e sete trovas);

- COLETÂNEA DA ACADEMIA DE LETRAS DE MARINGÁ – 2007 (com duas trovas, dois poemas e um conto).

- “COLETÂNEA DOS POETAS DE MARINGÁ - II” (Organização: A. A. de Assis, Dari Pereira e Galdino Andrade.);

- “COLETÂNEA DOS POETAS DE MARINGÁ - III” – 2006;

- COLETÂNEA “MARINGÁ - UM OLHAR FEMININO EM CORES E VERSOS”, (Participação como membro da comissão de seleção de textos e com a publicação do poema “Maringá”).

- COLETÂNEA “BRASIL LITERÁRIO – 2003” / Caxias do Sul – RS (com uma poesia);

- outras coletâneas com textos vencedores em concursos literários.


ENTIDADES EM QUE É MEMBRO:

– Membro da União dos Escritores Maringaenses (UEMA), do Clube dos Trovadores de Maringá, da Sociedade de Cultura Latina do Paraná e da Sala do Poeta de Maringá.

– Membro da União Brasileira de Trovadores – UBT/seção Maringá.

– Membro e fundadora da Academia de Letras de Maringá (ALM), fundada em 07/09/1997, ocupante da cadeira nº. 24, que homenageia Lygia Fagundes Telles, fazendo parte de todas as diretorias. Exerceu o cargo de secretária-geral de setembro de 2003 a 06 de abril de 2008, quando foi eleita presidente da ALM em virtude do falecimento de Antonio Facci. (V. título)

– Foi membro do Conselho Municipal de Cultura de Maringá.

– Associada do Sindicato Rural Patronal de Maringá.

– Associada da Sociedade Rural de Maringá.

– Cooperada da COCAMAR.

– Coordenadora Geral do Núcleo Feminino Cocamar – Maringá, nos anos de 2006, 2007 e 2008.
Fonte:
A Autora

Nivaldo Mossato (Chão de Estrelas)

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Nivaldo Mossato (Emoções)



O POETA E A MULTIDÃO

Lá vai o poeta
Arrastando-se pelas ruas,
Esperanças nuas,
Cabeça baixa,
Lágrimas nos olhos,
Olhos no chão!
Lá vai o poeta
Com sua poesia,
Sua melodia
E seu violão!
Lá vai o poeta
A passar pela multidão:
Ninguém entendeu a letra,
Tão pouco a canção!

SONHOS DESFEITOS

Enquanto,
Defronte à lareira,
Acendes a fogueira
Da tua falsa paixão;
Enquanto cospes labaredas
Pelas chaminés acesas
De teu tétrico orgulho;
Eu, aqui, atado às amarras
Do frio e da solidão,
Deixo que meu gélido coração
Desfolhe-se em pétalas de saudades.
E as lágrimas,
Por você enxugadas
Em meu rosto,
Revelam o desgosto,
De não terem
Rolado ao chão!

CASINHA BRANCA

Paredes tão brancas,
Quarto vazio,
Peito vadio,
Em revoada.,
Lua tão bela,
Noite tão clara,
Faço a mala,
Vou partir...,
Paredes tão brancas,
Quarto pequeno,
Tanto veneno,
Quanta solidão.,
A solidão e eu,
Eu e a solidão!,
Pingos constantes,
Chuva imaginária,
Imagem...sonho.,
O sonho e eu,
Eu e você!,
Paredes tão brancas,
Sala vazia,
Casa tão fria,
Vou partir.,
Porta fechada,
Chave arrumada,
Fecho na mão!,
...o olhar,
...o adeus,
O último suspiro:
Me viro...
O último olhar.
Paredes tão brancas,
Casa vazia,
Lágrimas,
Emoção!
-----------------
Fonte:
Trechos do livro em
http://www.nivaldomossato.com.br/

Nivaldo Mossato (O Menino que Queria Voar)


Fazenda Paraíso. Um lugar misterioso e belo.

Um cenário perfeito para ver florir o mais antigo sonho do homem: voar como um pássaro.

Crianças dispostas a irem às últimas conseqüências.

Um amor que se espalha e contamina.

Enigmas que pareciam indecifráveis.

Medo e perplexidade que se misturam no desenrolar de uma inimaginável aventura.

Um garoto que parecia ter a chave do mistério e acabou por vivenciar um verdadeiro milagre.

Marcas de uma aventura que ficará para sempre em suas memórias.

Um menino, uma águia e um sonho:
voar...voar como um pássaro!
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Trechos

O Céu é o Limite

A chuva cessara e por entre nuvens carregadas o sol infiltrava seus raios. O peito dolorido me fazia lembrar dos dias anteriores, e, a tira de couro no pescoço trazia-me para a realidade do momento. Olhei em volta e somente Homero, o pai do Fernando continuava ali. A respiração ofegante, porém ainda presente, mantinha-lhe a vida. Um relinchar conhecido quebrou a paz da manhã, seguido de vários gritos, que se espalhavam por entre a vegetação molhada.

- Nino! Nino! Gritava Marcos, tentando se fazer ouvir.

Levantei-me e, escorando nas paredes, fui até a janela.

Nervoso, Marcos gesticulava, indeciso.

Ao longe, sobre uma grande pedra em forma de tabuleiro, Nino abria os braços para seu derradeiro vôo. Um precipício abria-se à sua frente, no topo da montanha. Mais uma vez as nuvens se abriram e o sol o iluminou. O vento soprou seus cabelos e o menino parecia encontrar ali a essência da sua alma. Seu corpo frágil balançava sobre a pedra.

Marcos continuava a gritar, enquanto o cavalo inclinava-se próximo à porta do chalé e, batendo as patas no chão arrancava toletes de barro.

Minha voz uniu-se aos gritos do amigo e ressoaram nos confins.

- Ninoo! Ninooo!

O instinto entrou em ação, buscando no sobrenatural as forças suficientes para manter-me sobre o dorso do Alado. Em segundos cavalgava a galope sobre o imenso tapete verde que nos levava ao tabuleiro de pedra, onde Nino bailava ao vento. O equilíbrio era perfeito entre eu e o animal. Quanto mais o Alado corria, mais eu gritava, tentando evitar o trágico final.

Alado avançou sobre a grande pedra, como se flutuasse sobre ela, enquanto Nino soltava seu corpo no nada, projetando-se no abismo. Gritei, gritei com todas as forças do meu ser. E tomando o apito nas mãos, assoprei-o. O animal não refugou. Aumentou sua tração e num salto, arremessou-se no precipício (...)

Alado seguia Nino em sua queda. Um pio ecoou entre as montanhas, enquanto duas imensas águias surgiram no céu (...) o cavalo refugou e pude então presenciar o mais tenro de todos os milagres (...) um novo pio rompeu as fronteiras do abismo. Sob meu olhar extasiado, três águias tomaram o céu (...)
–––––––––––––––––––––––––––––-

O Menino e Seu Sonho

(...) Nino saiu correndo em direção a uma rocha que se impunha à beira do riacho.
Subiu, e como fazia na cumeeira do celeiro abriu os braços, sentindo na alma a direção a seguir. Ficou assim por um instante. Virou-se a favor do vento e num ritual de sabedoria e graça, soou o apito que trazia pendurado no pescoço.

Como uma cortina, as nuvens se abriram deixando passar um foco de luz. O sol o iluminou, como se fosse um ser único na face da terra. E ali ele ficou, de braços abertos, até se ouvir no infinito um pio estridente. Era Guiga, que num vôo de mergulho, surgindo do nada, pousou nos braços do companheiro. Nino acariciou-a e virando-se em direção a mata, arremessou-a no ar.

A águia tomou o céu e contra o próprio instinto de sobrevivência, por entre as nuvens de fumaça, se aventurou. Sobre a rocha, de braços abertos, Nino deixava-se levar pela imaginação e voava a favor do vento. Soou novamente o apito e um outro pio rompeu a mata (...).

Fonte:
http://www.nivaldomossato.com.br/

Nivaldo Donizeti Mossato (1959)


Nasceu em Itambé, estado do Paraná, em 10 de abril de 1959.

Empresário e acadêmico em psicologia, possui MBA em Gestão Empresarial, ministra cursos e palestras abordando temas administrativos, motivacionais e de relacionamento interpessoal.

É acadêmico na ALM – Academia de Letras de Maringá-PR; onde ocupa a cadeira 19, tendo como patrono o escritor Guimarães Rosa.

É autor dos livros
Sedução (1982) e
Emoções (1986) produções independentes –

Prêmio Literatura da União dos Escritores de Maringá, 1986,
O menino que queria voar (2007 – Romance/aventura infanto-juvenil),
Do outro lado da cruz – reflexões para o homem de hoje (2008) e
Caderno de treinamento empresarial Prodege – Programa de Desenvolvimento Gerencial e Empresarial (2004).

Fonte:
http://www.nivaldomossato.com.br/

sábado, 26 de setembro de 2009

José Feldman indica 3 novos acadêmicos para a ALB

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ricardo Corona (1962)



Ricardo Corona (Pato Branco - PR, 1962) graduou-se em Comunicação em 1987 (Febasp). Iniciou atividade poética no início dos anos 1980, publicando seus poemas em revistas e jornais literários.

De 1993 a 1996, apresentou várias performances poéticas criadas em parceria com Eliana Borges e iniciou pesquisa que aproximou a poesia do universo do som, mesclando referências que vão da poesia da música brasileira às experiências sonoras de vanguarda e que serão determinantes no seu disco Ladrão de fogo (Medusa, 2001)

Em 1998, organizou a antologia de poesia Outras praias / Other Shores (Iluminuras).

Criou em parceria com a artista plástica Eliana Borges as revistas de poesia e arte Medusa (1998-2000) e Oroboro (2004-2006).

Em 1999, publicou Cinemaginário (Iluminuras), seu primeiro livro individual, com repertório de poemas imagéticos e de intenso diálogo com o cinema.

Em 2003, em parceria com Eliana Borges, publicou Tortografia (Iluminuras), um livro de arte com desdobramentos da poesia para o universo das artes plásticas e destas para o campo poético.

De 2005 a 2007, percorreu o país com a apresentação de poesia falada e sonorizada Távivaaletra. Em 2005, com Joca Wolff, traduziu o livro-poema aA Momento de simetria (Medusa, 2005), de Arturo Carrera e nesse ano publicou Corpo sutil (Iluminuras). Em 2007, criou com Eliana Borges a performance Jolifanto.

Participações:
– Antologia comentada da poesia brasileira do século 21 (PubliFolha, SP, 2006, Org. Manuel da Costa Pinto);
– Papertiger: new world poetry (Austrália, 2004);
– Cities of chance: new poetry from the United States and Brazil (Ed. Rattapallax Press e 34, EUA, 2003, Org. Flávia Rocha e Edwin Torres);
– Pindorama – 30 poetas de Brasil (Revista Tse-Tsé, Argentina, 2000, Org. Reynaldo Jiménez); – Na Virada do Século – Poesia de invenção no Brasil (Ed. Landy, SP, 2002, Org. Cláudio Daniel e Frederico Barbosa) e
– Passagens – Antologia de poetas contemporâneos do Paraná (Ed. IOP, 2002, Org. Ademir Demarchi).

Parcerias musicais com Vitor Ramil, Ana Lee, Tiago Menegassi, Guêgo Favetti, Carlos Machado, Alexandre Nero, Neuza Pinheiro e Grace Torres.

Fonte:
Antonio Miranda
Jornal de Poesia

Entrevista com Ricardo Corona



Wilmar Silva - Ricardo Corona: como descobriu a poesia em sua vida?

Ricardo Corona - É difícil saber como a poesia entrou na minha vida. Talvez tenha chegado pelo som das páginas sendo viradas dos livros que a minha mãe lia. Ela sempre foi (e ainda é) uma leitora contumaz. O hábito táctil dos livros eu aprendi com ela e, penso agora, a partir da sua pergunta, sobre a repercussão desse som dentro de mim. Organicamente, acabou se misturando aos meus primeiros sentimentos, então, creio que minha descoberta da poesia veio desse som de livros em mãos maternas.

WS - Mais que hesitar entre som e sentido, ser poeta é hesitar entre substantivos e adjetivos?

RC - Os adjetivos têm que ser usados com cautela e sem hesitação. Não titubeio em eliminar adjetivos. Quanto à definição de Paul Valéry ("Poesia é a permanente hesitação entre som e sentido"), é a que mais me significa e desde sempre foi a que mais me interessou e me estimulou como poeta. Hesito sempre.

WS - É possível ao poeta de hoje produzir uma linguagem de invenção quando as vanguardas históricas habitam um abismo?

RC - Não sei exatamente o que quer dizer com "habitam um abismo". Mas levando ao pé da letra, não vejo nenhum abismo. Conforme o adjetivo da sua pergunta, as vanguardas se transformaram em movimentos históricos. Eu reconheço essas experiências como das mais importantes para o ambiente poético universal. No caso do Brasil, os poetas concretos (Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Pedro Xisto) nos deram régua e compasso... Mesmo que alguns neguem e outros odeiem, a verdade é que ainda usufruímos desse legado. Isto posto, o significado da palavra invenção deixa obrigatoriamente de estar ligado ao momento histórico das vanguardas. A experiência poética de hoje é outra. Acho uma experiência radical, por exemplo, operar cruzamentos de linguagens e épocas num trabalho contemporâneo. Um ritual Tungu está muito próximo de um happening dadaísta. E sabe qual a distância de tempo dessas manifestações? Mais de mil anos. Sabe qual a conexão? Ambas as manifestações trabalhavam poéticas sem sentido. Porém, apenas uma delas é conhecida como uma manifestação de vanguarda, que é a dadaísta. O que estou dizendo é que mesmo sem a necessidade da ruptura, a experiência continua, porque ela sempre esteve presente.

WS - Escrever poemas é o mesmo que remeter cartas para ninguém, ou escrever poemas é o mesmo que plantar as próprias sombras?

RC - Escrever poemas é o mesmo que rabiscar na própria pele. É dar ao mundo uma coisa que é sua. E dar, no meu repertório léxico, é feminino de dor.

WS - Sendo também performer, que pontos de mutação, a exemplo da obra em si como aquele Salto no Vazio de Yves Klein, entre o poeta léxico e o poeta físico?

RC - Acho que artistas como Yves Klein ou mesmo Carole Schneemann são agentes de performance. Claro que há muita similaridade entre a performance e a poesia que vai para o ar. Mas são linguagens autônomas. Eu trabalho com a cena e não me julgo um performer. Acredito piamente quando um texto é lido em voz alta pelo próprio autor. Eu gosto de começar nessa fronteira, nessa dimensão física do texto autoral, nesse lugar em que também se encontra a idéia nietzscheniana de acreditar somente nas coisas escritas com o próprio sangue. Neste sentido, sou um agente de poesia.

WS - A exemplos de tantos nomes que produzem e se publicam, há entrechoques nas poéticas de agora ou o mundo é uma pirâmide de repetição?

RC - Acho que as poéticas de várias épocas e culturas mantêm um diálogo intenso desde sempre. Os cantadores medievais com os poetas de cordel; a poesia de Glauco Mattoso e Gregório de Matos...; o grafite anônimo de hoje com o grafite também anônimo da cidade de Pompéia, do século I d. C. ... Mas não acho que isso seja uma pirâmide de repetição. Nossa época carrega nas costas milhões anos de cultura. Acho que temos que aprender que a idéia do “novo” não existe e que o desafio de se criar qualquer coisa mediante um repertório desses, é enorme. Talvez a sensação de impasse esteja mais na dificuldade de se classificar o que se faz hoje. Está difícil aplicar um adjetivo, um rótulo, uma única definição para a produção de agora. E isso é bom, é uma conquista, apesar da dificuldade da leitura crítica, do mapeamento. Mas aí já é um problema dos críticos. A nós cabe escrever sobre o que quisermos e pesquisar nas mais variadas fontes...

WS - Considerando o paradoxo entre a poesia concreta e a poesia marginal, e uma poesia de filigranas que você faz, falando em línguas, que língua Ricardo Corona escreve?

RC - Não existe mais essa dicotomia ou esse paradoxo na poesia brasileira. Não é mais possível pensar a partir desse paradigma. Uma premissa: eu gosto de lembrar o que Ferlinghetti dizia sobre poesia e público leitor, ou seja, que o poeta deve resguardar uma superfície de comunicação. Sem o ledo engano de querer "sentir o hálito das multidões" (Leminski), eu procuro evitar o hermetismo, até porque já penso o poema em voz alta e isso me exige comunicabilidade.

WS - A começar pelo nome que nasce puxando imagens, que imaginações iluminam seu livro de estréia solo Cinemaginário (Editora Iluminuras, SP, 1999)?

RC - A imaginação e as imagens de um cinema mental. Coloquei meus delírios e visões de mundo num fluxo poético. Cinemaginário é um livro enganador, pois parece se prestar mais à arte da visibilidade (da paisagem), mas o que importa nele é o invisível.

WS - Como foi realizada a poética híbrida de sons que comparece no CD Ladrão de Fogo (Editora Medusa, Curitiba, PR, 2001)?

RC - Muitos poemas que estão no CD Ladrão de fogo foram antes estampados no livro Cinemaginário. Porém, antes ainda do livro e do CD, eles compunham um repertório para várias récitas que apresentei pelo Paraná afora. Isso no início dos anos 1990. Então, gravar o CD foi uma conseqüência, um registro do trabalho que eu vinha fazendo. É um trabalho que incorpora processos criativos das vanguardas, mas sem dar as costas para o rico legado de referências que tem a poesia brasileira que está associada ao som, que vai desde as letras de música até a literatura oral.

WS - E Corpo Sutil (Editora Iluminuras, SP, 2005), que carreia para a matéria o adjetivo "sutil", que materiais foram usados para construir o enfeixe de papel?

RC - A dobra de Corpo sutil está numa poesia "líquida". Este elemento, a água, aparece no livro como um rio subterrâneo. Esse é o meu diálogo com o mundo, pois este livro, mais do que Cinemaginário, é um livro que está no mundo, que está dentro dele, embrenhado dele, sempre através de questões que me afligem. O meu mundo, digamos, mais individual, também aparece em cada poema, mas é como se fosse uma parte, um gomo de um todo.

WS - Como foi organizar a antologia Outras praias - 13 poetas brasileiros emergentes / Other Shores – 13 Emerging Brazilian Poets (edição bilíngüe – SP, ed. Iluminuras, 1998)?

RC - Em 1995, quando comecei a cogitar a idéia dessa antologia, lembro que havia muita necessidade de projetos assim. Não tinham revistas como se têm hoje. Os espaços eram bastante escassos e disputados. Dois ou três poetas que circundavam os segundos cadernos dos grandes jornais, alguns por competência e outros por mera relação de amizade com o editor, dominavam o espaço nacional dedicado à poesia. Num ambiente assim, sem internet, sem nada, antologias e revistas eram instrumentos político-culturais que serviam para romper com o dique. O time de poetas que está em Outras praias, com raríssima exceção, ainda está em atividade. E naquela época a maioria estava no seu primeiro ou segundo livro... Pra mim, como organizador, esse é o saldo principal. Fora isso, foi uma antologia bastante discutida, para o bom e para o ruim, e isso é sempre positivo, pois antologias não têm que indicar nada e, aliás, nem se deve acreditar nelas. Como disse, são instrumentos político-culturais.

WS - Que pode dizer sobre as linhas editoriais que divisam as revistas Medusa e Oroboro?

RC - São duas revistas de poesia e arte contemporâneas. Nesse ponto, são idênticas. Ou seja, nas duas publicamos as mesmas coisas. Porém, a Medusa também foi um projeto "guerrilheiro", igual a antologia. Nós publicávamos sempre aquilo que acreditávamos ser de qualidade, esse era o critério-mor. Mas procurávamos também pautas que provocassem o status-quo. Um exemplo: o dossiê do Sebastião Nunes. Lembro que delirei ao saber que ele havia reproduzido um caderno "Mais!" inteiro sobre o próprio trabalho. Supostos críticos escrevendo sobre seu trabalho e supostos jornalistas o entrevistando. Isso foi genial. Quer dizer, enquanto se travava a maior disputa para publicar um poema na "Folha de S. Paulo", a Medusa apareceu com um cara que esculhambou com esse "espaço de poder". Nessas horas é um prazer ser editor de revista. Já a Oroboro iniciou em outro ambiente cultural, com mais revistas, internet, pequenas editoras, etc., além de os grandes jornais estarem mais abertos, um pouco mais, então, a revista acaba apostando mais na rebeldia puramente artística.

WS - Como pratica também ensaios, o que pensa sobre o silêncio da imprensa e da academia frente a muitos autores que produzem uma poesia de invenção?

RC - Não posso dizer que escrevo ensaios. Escrevi alguns aqui e acolá e mantive num jornal daqui de Curitiba, por uns tempos, uma coluna dedicada à poesia contemporânea, na qual escrevi sobre alguns livros de poesia publicados de 2000 pra cá. Mas não dei conta. Acho que o Manoel Ricardo de Lima e também o Manuel da Costa Pinto estão fazendo melhor. E são dois críticos com visões diferentes e sempre escrevem sobre poesia contemporânea. Acho que o tempo mostrará um belo apanhado crítico dessas duas figuras.

WS - Fosse a um bosque curitibano paradisíaco, com que livros viajaria para ler durante as vindimas?

RC - E olha que tenho ido a parques e bosques curitibanos.... Tenho levado comigo livros de Arturo Carrera, poeta argentino, que traduzo com Joca Wolff há uns dois anos. Lembro de ter levado um livro dele chamado El vespertillo de las parcas.

WS - Hoje o poeta vive um exercício em dobras, em todos os sentidos a poesia é algo vivo entre as pessoas, mas o livro ainda é um objeto inacessível ao cotidiano, além de representar a ordem capital das elites —, que paralelos você pode fazer entre cultura e educação?

RC - Os livros deveriam ser mais baratos para se tornarem mais acessíveis. Recentemente, estive em Buenos Aires e uma das coisas que me encantou foi a variedade de formatos que o livro argentino tem. Eles pensam o livro como objeto de consumo, ou seja, o formato de uma publicação é pensado para atender também as diferenças de poder aquisitivo da sociedade, assim como acontece com qualquer produto. Além de medidas assim, que são práticas, por outro lado, e principalmente, deveriam existir mais ações governamentais, políticas de incentivo à leitura, de distribuição de livros, mas seria preciso investir maciçamente nisso, e em educação de modo geral, em formação de leitores, em práticas de envolvimento de todas as faixas etárias com o livro. O livro é um veículo de pensamento e de cultura que nunca será extinto. O homem poderá inventar maneiras telepáticas de se comunicar, mas o livro estará presente, tenho certeza disso. Então, o melhor é inseri-lo no coração das pessoas, como forma de nos elevarmos, crescermos.

WS - Ao contrário do que muitos dizem, eu penso que a poesia é uma arte que nasce da experiência de viver em forma de linguagem e penso que a poesia deveria ser um utensílio doméstico como a panela, por exemplo. O que pensa sobre a importância da poesia no cotidiano das pessoas?

RC - Há uma disposição de se dizer que poesia é inútil. E, de fato, ela parece ser. Mas se pensarmos novamente, desdobrarmos isso, talvez essa pretensa inutilidade venha justamente de uma íntima certeza de sua necessidade. Como se buscássemos preservá-la como última instância de nossa humanidade.

WS - Como vive hoje Ricardo Corona, sabendo que a miséria política porque passamos é uma política que oferece comida para comprar a miséria humana do dia seguinte?

RC - O problema é que isto se transforma num ciclo sem fim, em que a miséria humana comprada ontem pela política miserável fatalmente subtrairá violentamente nossas vidas amanhã.

WS - Falando por políticas de geografia, para reabitar um só exemplo fora do Brasil: Gary Snyder, consegue ver as diferenças de vida e linguagem entre os poetas que atuam hoje em nosso Brasil?

RC - Gary Snyder foi viver a poesia dele em corpo e alma. Existem bem poucos poetas que radicalizaram dessa forma. No Brasil de agora, não vejo ninguém. Acho que o Roberto Piva é um poeta desse naipe. Mas não se pode menosprezar a poesia pelo modo de vida do poeta. Veja o exemplo de Glauco Mattoso, que foi bancário a vida toda...

WS - Se a performance é um poema vivo, a realização de desejos na arte em si, o corpo do artista com o tempo do corpo no espaço, que diferenças realmente acontecem quando Ricardo Corona escreve um poema e quando esse mesmo poema se torna um poema vivo em sinergia com o criador?

RC - É possível criar um poema e se manter distanciado dele. Fernando Pessoa dizia que o poeta é um fingidor, no sentido que, mesmo vivendo aquela dor, é possível fingi-la. Mas a incorporação do poema no corpo do poeta é uma das maneiras de vivê-lo. E o mais perto possível.

WS - Afinal, Ricardo Corona, "Tá viva a letra"?

RC - Nunca se leu tanta poesia em voz alta e em público. Acho que estamos saindo das "amarras" de um pensamento pseudo-livresco e pouco livre para a criação de diferentes poéticas. Estamos nos livrando de fronteiras desnecessárias. A poesia está no ar e continua não estando na moda, o que é muito saudável.

WS - Como será a sua apresentação no projeto Terças Poéticas?

RC - Mesclarei poemas do Ladrão de fogo com outros que estarão no meu novo disco que se chamará justamente TÁVIVAALETRA. Dos poemas novos, um que apresentarei pela primeira vez, que se chama "Recall", que é meio esquisito, mas excelente para ser desbocado. Do Ladrão de fogo, farei poemas como "Pessoa ruim", que faz referência ao "Poema em linha reta", de Fernando Pessoa, mas ao vivo, tenho feito juntamente com outro chamado "Manifesto II", de autoria de Celso Borges. Juntos criam um "clima", próximo da performance, em que tiro um sarro dos poetas carreiristas. Farei uma homenagem a Jardelina da Silva, minha musa da oralidade. Entre outras coisas...

Fonte:
Entrevista realizada por Wilmar Silva, em Germina Revista de Literatura e Arte – janeiro de 2007. http://www.germinaliteratura.com.br/pcruzadas_triptico_rc_jan07.htm

Ricardo Corona (Poetas do Paraná)



VENTOS E UMA ALUCINAÇÃO

1.
sol tórrido no
aljazar

(lascas de zinco refletindo)

sol batendo
no sal

2
das costas
do homem na barcaça
— e deu-se a estampa

(um sopro quente passa)

um caligrama na asa
do anjo
aprendiz da chuva

3.
rubricando, rebatendo
no arco-íris riso
da híbrida holografia

(do solo sobe um hálito quente)

espumas ainda agonizam
e novamente
o mar traz à margem sua franja

4.
atrás das pálpebras
o olho dá forma ao sol
: bola vermelha

(um vento mantra passa)

a íris fosforesce
aureolando as pupilas em brasa

5.
no cine Céu
a sessão inicia pelo fim

(o rubro horizonte nubla de repente)

barbatanas no céu anfíbio
guelras no céu íntimo

6.
hojes mais longínquos
lembram
ontens ancestrais

(um peixe roça a pele da pedra)

há uma escritura definitiva
nas estrelas
sílabas

7.
: a gula de luz
de uma galáxia canibal

(a lua finge mas já reflete sóis)

Anos-luz daqui
Andrômeda é a esfinge
da via-láctea
–––––––-

ONDAS NA LUA CHEIA
(poema sob influência)

A lua que tudo assiste
agora incide

O mar
— sob efeito —
ergue-se
crispado de ondas espumantes

Sua língua de sal
lambe e provoca
as escrituras da areia firme

Ondas deslizantes
redesenham
onde outras ondas ainda
desredesenharão,
fluindo
no fluxo
da influência

Sob efeito lunar
o mar muda
e a lua,
antes toda,
agora, mínima
(
e quem com ela muda?)
–––––––––––-

PAISAGEM NARCISISTA

Estando sempre à luz do sol,
a paisagem, narcisista, insiste.
E viciada em flashes e ohs!
de turistas, banhistas e surfistas.

Sendo ela que o sol eternamente assiste,
a paisagem, narcisista, insiste,
retendo estampas na retina, como se
somente a sua performance existisse.

Mas nela meu olhar não se detém,
nenhum clic, espanto, nada.

*
via láctea via língua
eis minha viagem
o quasar mais além
vai estar quase ali
o planeta terra
pingo no meu i
ponto na frase que se encerra

*
a chuva desce
pelo cheiro
a terra agradece
==============

TAMBOR

ouvido atento, colado
som lusitano, lento
meu cérebro no centro de Istambul
(de um lado, feras
do outro,
heras)

o giro incerto mastiga o ruído
metal ruim
de um lado da estampa,
azul
do outro,

coisas grudam na agulha
na ferrugem
na pane do som letal

de um lado, folhas
caem
pétalas

do mesmo lado
vão vira crisálida
borboletas-bomba
coração tam-
bor
tam
tambor tam
tam
tam-
bor tam
tam
tambor
TAM
–––––––––––––––

ENTRE

‘bientôt un espace’
quer dizer
‘em breve um espaço’

bonito isso
na raridade que é
esta manhã

na qual aspiro
ao desconhecido

decolo ao
meu labirinto

no pulso de todos os tempos

entre

‘bientôt un espace’
e a menina com narina balalaica
------
Fonte:
Antonio Miranda
Jornal de Poesia

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Miguel Sanches Neto (1965)


Miguel Sanches Neto é escritor paranaense e crítico literário. Responsável pela coluna semanal do maior diário do Paraná, a Gazeta do Povo (Curitiba), tendo publicado só neste jornal mais de 350 artigos sobre literatura, fora as contribuições para outros veículos, como República, Bravo!, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (São Paulo, Poesia Sempre, Jornal do Brasil (Rio de Janeiro)e Jornal d`pontaponta - coluna mensal (Ponta Grossa- Paraná), cidade onde reside.

Nascido numa família de agricultores pobres no interior do Paraná (Bela Vista do Paraíso, criado em Peabiru), Miguel Sanches Neto tornou-se um dos mais importantes críticos literários do país, além de ser professor universitário, com doutorado em Teoria Literária pela Unicamp. Escreve na Gazeta do Povo e na revista Carta Capital. Vindo de um Estado que já deu importantes escritores ao Brasil, como Paulo Leminski e o grande ficcionista Dalton Trevisan, Miguel Sanches Neto publicou, dentre outros, o romance autobiográfico "Chove sobre minha infância" (2000), o livro de contos "Hóspede Secreto" (2003 - Prêmio Nacional Cruz e Sousa) e o de crônicas Herdando uma biblioteca (2004), todos pela Editora Record.

Embora venha escrevendo há muitos anos, desde a adolescência, talvez o escritor Miguel Sanches Neto tenha começado a ficar conhecido nacionalmente a partir de 2000, quando lançou, pela Editora Record, o romance Chove sobre minha infância, já traduzido para o espanhol. De lá para cá, ele deixou de ser promessa para se firmar como um dos nomes mais representativos da nova literatura brasileira, o que foi confirmado, agora, com o lançamento, também pela Record, de Um amor anarquista. Neste imperdível romance, o escritor nos conta, com incrível capacidade de persuasão, a história de um grupo de imigrantes italianos, que, no final do século XIX, na pequena cidade de Palmeira, no interior do Paraná, funda a Colônia Socialista Cecília, na qual tenta destruir o sistema tradicional da família e implantar o amor livre. Assunto que até hoje, passados tantos anos, permanece causando polêmica no Paraná.

Miguel Sanches conta que sua idéia de narrar a história começou a ganhar corpo em 1994, quando estava trabalhando em um livro produzido por um descendente da colônia. "desde então, vim sonhando com a possibilidade de escrever o romance. Li muita coisa a respeito, e cheguei a traduzir, com uma amiga, os escritos de Rossi [Giovanni Rossi, um dos integrantes da Cecília] sobre a experiência no Paraná", diz o escritor. Até começar a escrever, ele visitou várias vezes os locais onde os fatos se passaram, além de ter conversado com os descendentes dos imigrantes. Planejava, também, viajar à Itália, para visitar os lugares de onde vieram os personagens, mas quando viu que isso não seria possível, resolveu começar a empreitada com o material que tinha em mãos. "Passei dezembro de 2003, fevereiro e maço de 2004 trabalhando 12, 14 horas por dia. Com este esforço concentrado, obtive o copião, sobre o qual mergulhei, eliminando capítulos inteiros, acrescentando coisas, e até 15 dias antes da impressão do livro eu ainda estava mexendo no texto", confessa o romancista, agora aliviado, e feliz, com a repercussão positiva que o romance vem recebendo.

Escritor eclético, que tem navegado por diversos gêneros, Miguel Sanches Neto - que nasceu em Bela Vista do Paraíso, interior do Paraná, mas foi criado na pequena Peabiru - diz ser um escritor inquieto, daí essa diversidade literária. Para ele, isso não é nenhuma coisa de outro mundo, embora no Brasil as pessoas sempre esperem que o autor se dedique apenas a um tipo de texto. "Isso é bobagem. A gente tem que escrever de acordo com os imperativos interiores. Machado de Assis fez de tudo", diz o romancista, sem se importar que pensem que ele está querendo se parecer com o Bruxo do Cosme Velho. "Apenas estou dando um exemplo, embora ache que devemos mesmo nos comparar aos grandes", afirma Sanches. Mas ele não resiste e confessa que, literariamente, sente-se melhor no romance, "pela possibilidade de dizer mais, e ampliar as estruturas simbólicas". Um amor anarquista está aí para confirmar este gosto. "Vivemos dentro de subculturas do gosto. Guetos que só lêem tais autores"

Recebeu o Prêmio Nacional Luis Delfino pelo livro “Inscrições a giz” (FCC, 1991) e o Prêmio Cruz e Souza/2002 por “Hóspede secreto” (contos, Record, 2003).

Livros:

Chove sobre minha infância ( romance, editora Record, 2000);
Você sempre à minha volta (cartas, editora Letras Contemporâneas, 2003);
Abandono (haicais, edição do autor, 2003);
Venho de um país obscuro (poesia, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Biblioteca Trevisan (crítica);
Entre dois tempos ( ensaio literário, Unisinos, 1999);
Herdando uma biblioteca (memória, editora Record, 2004);
Amanda vai amamentar (infanto-juvenil, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Estatuto de um novo mundo para as crianças (infanto-juvenil, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Primeiros contos (contos, editora Arte & Letra, 2009).

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/
http://www.releituras.com.br/

Miguel Sanches Neto (Poetas do Paraná)


CAÇADOR E VÍTIMA

Escrever é caçar caranguejos
à maneira do guaximim.
Enfiando o rabo no buraco
onde se aloja o crustáceo,
ele espera que este o morda
como suas impiedosas tesouras
para sacar logo em seguida
a presa cravada em sua cauda.
O próximo passo é saboreá-la
— a memória da dor em carne viva.

Enquanto espera, o guaximim chora,
sofrendo de antemão a investida.
Caçador e vítima, é sua própria isca.
Contorcendo-se nesta emboscada,
o sabor e a cicatriz ele preliba
— a água na boca é a mesma das lágrimas.

––––-
INVENTÁRIO

Ouço os sons da chuva
e de um carro que passa na rua.
Tudo me dá de ombros,
a mim e a meus escombros.

Sofro como se existisse de fato
tal esta casa e este sapato
em que, por descuido, habito
com meu vazio sem vínculos.

A noite me sonega o ser.
Pela manhã serei o homem que sai,
funcionário cumpridor de regras,
aquele que tem fome e sede

e por isso vai ao mercado
e se entusiasma com queijos,
vinho pão fresco cerveja,
fugindo de toda incerteza.

Não. Não é este o tipo
de alimento que me sustenta
e sim a sombra que me inquieta
e que, com sua mão, me inventa.

Gerado na dor e na dúvida
no duro exercício da descrença,
sou vento enchendo roupas no varal
num inventário da própria ausência.
-------
Fontes:
– BUENO, Alexei. Uma História da Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2007. ISBN 978-85-98815-06-0, p. 404
– Venho de um país obscuro”, Editora Bertrand-Brasil - Rio de Janeiro, 2005
– http://www.antoniomiranda.com.br

Miguel Sanches Neto (Qual o Papel que o Escritor Exerce dentro da Sociedade?)


Num livro em que abundam prefácios e notas biográficas (Por que escrevo? Escrituras, 1999), quase uma centena de autores, entre escritores e escrevinhadores, tentam explicar suas razões de escrever. Muitos reclamam de ter que dar uma justificativa para tal atividade, o que mostra que este tipo de pergunta é um fantasma que persegue todo escritor - profissional tido como inútil numa sociedade que só pensa em termos de cifras.

Qual a relevância do trabalho do escritor? Por que um país precisa dele? Por que temos que ler os escritores?

Estas são perguntas que me acompanham desde a terrível tenra idade, quando meus familiares, muitos mais prudentes do que eu, se inquietavam com o destino do menino perdido em leituras. Casei, tive filho, tornei-me um quase-velho e ainda continuo gastando irresponsavelmente minhas horas - por mais escassas que hoje elas possam ser - diante dos livros e com esta nossa raça delirante de escritores, não porque não pudesse encontrar companheiros mais úteis para a sociedade, cujas intrigas, digamos assim, fossem movidas por razões maiores. Sou e espero continuar sempre sendo um membro desta espécie desprestigiada que se interessa por literatura, o que na adolescência me custou alguns dissabores amorosos - quem se interessaria pelo jovenzito corrompido por um hábito tão pouco masculino e improdutivo? Apesar destas cicatrizes, que ainda me marcam o rosto, consigo, mais ou menos dentro da normalidade, ser tomado como uma pessoa de bem. Não, meus senhores, não tenho a ousadia de ser um conceituado senhor de barbas brancas, no topo da cadeia monetária, mas consigo garantir o básico para uma pequena família - contrariando assim prognósticos de amigos e namoradas de um outro tempo.

Filho de gente sem recursos e sem cultura, fiz uma espécie de trajetória brasileira. Para tentar uma carreira, tive que contrariar a família, tornar-me um jovem sem maiores atributos, lutar pela sobrevivência em uma posição social bastante negativa, mostrar que podia ao menos tirar algum lucro econômico me dedicando à faina literária.

A história desta vocação nascida em um ambiente pobre é marcada pela necessidade constante de ter que explicar aos outros o motivo do fascínio pelas palavras. Enquanto meu irmão caçula era comerciante, eu perdia o tempo lendo. Enquanto meus amigos arrumavam emprego em oficinas, mercados ou bancos, eu freqüentava a biblioteca de minha cidade. A recusa social é que faz com que o escritor seja permanentemente questionado sobre o sentido de seu ofício. Daí ter de buscar os mais variados argumentos para justificar uma vida dedicada à drummondiana vã luta com as palavras.

É difícil um escritor que, rico ou pobre, não tenha sido colocado contra a parede, ou por outras pessoas ou por sua própria consciência: por que escrevo? Não me interessa aqui comentar as respostas contidas no livro organizado por José Domingos de Brito. O importante é destacar que cada escritor, além do próprio trabalho exaustivo com a palavra, na maioria das vezes feito em horário de lazer, ainda tenha que achar uma justificativa, para se explicar diante dos seres úteis - oh, tão úteis que me dá medo colocar diante deles e de seu poder o meu mundinho de papel.

Assim como os piores escritores desta pátria armada, tive que dar uma resposta a este inquérito. Primeiro, foi num poema que nunca publiquei e que tinha um terceto que acho ainda válido:

escrevo porque me escracho
escrevo porque me esquivo
escrevo porque me escravo

Era esta propensão masoquista e solitária que me levava a um trabalho tão rejeitado, que não me deixava ser feliz apenas com minha condição de consumidor, de telespectador, de torcedor do São Paulo Futebol Clube, de devoto das mulheres transformadas em objetos de adoração. Tudo isto era pouco, muito pouco para o jovem que eu era (ai tempo verbal doído com uma punhalada nas costas). Daí me tornar prematuramente escrevinhador, sonhando com um livro.

Depois de alguns pecadilhos, sei muito bem quanto pagarei por isso, acabei escrevendo uma coletânea de poemas (Venho de um país obscuro. Travessa do Editores, 2000) para justificar esta minha derivação para as palavras. Mas só estes poemas não foram suficientes para me livrar deste trauma de ser um diletante no vasto mundo dos grandes macacos do servilismo. Eu tinha que encontrar uma razão mais forte para me sentir bem ao lado de nobres amigos, que sempre me consideravam um esforço em vão na estrada deserta das artes.

Um colega de meu cunhado, médico como ele, um dia perguntou qual o sentido de se dedicar uma vida inteira a uma atividade tão pouco prática. Abalado, entrei em depressão, sofri a grande dúvida de todos os pingentes deste mundo consumista. Foi o que me levou a escrever um romance autobiográfico, cujas duas centenas de páginas eram uma exposição de motivos para o sentido da escrita em minha vida.

Na opinião de Eduardo Galeano, "a gente escreve, em realidade, para a pessoa com cuja sorte ou má sorte nós nos sentimos identificados, os maldormidos, os rebeldes e humilhados desta terra, e a maioria deles não sabe ler" (p.89). No meu romance, Chove sobre minha infância, ampliei este motivo, dizendo que escrevo para dar voz a todos os meus ancestrais que não sabiam ler nem escrever.

Comecei minha carreira literária tentando responder por que um filho de colonos analfabetos se desvia para literatura, uma atividade própria de sociedades e famílias abastadas, que podem fazer do ócio uma coisa mais nobre. Nós, os das classes pobres, temos é que nos dedicar à luta difícil da sobrevivência, por isso minha família, num instante de lucidez social, ter me matriculado num colégio agrícola. Eu assim poderia ter uma profissão que me valesse. Mas como sempre fui teimoso, deixei o destino preparado de lado e me converti num incansável candidato a escritor, pronto para todas as frustrações.

O primeiro susto de minha família foi quando descobriram que para escrever literatura em jornal eu recebia dinheiro. E depois o fato de que alguém pudesse adquirir algum status social pelo que escrevia. Hoje, meus pais não se espantam e até torcem para que o filho tenha mais tempo livre para escrever.

Mas toda esta trajetória bastante complicada é devedora das graças da Sorte, esta deusa inconstante que vem me sendo fiel. Conheci grandes pessoas pela literatura e tenho me esforçado para merecer a amizade delas, mas uma vez ou outra revela-se a minha miserável condição de escória social e humana e daí me transformo num pequeno monstro de insolência.

Conclusão: escrevemos porque não nos suportamos.

PS. Recentemente respondi a uma pergunta do jornalista carioca Rodrigo de Sousa Leão sobre o papel do escritor na sociedade. Quero transcrever a resposta que, de uma certa forma, complementa este artigo:

Para mim, o papel principal do escritor não está no espaço, mas no tempo. Os escritores somos os guardiões do fogo. Nós mantemos vivo todo um universo imaginário que periga perecer. Ao dar esta entrevista agora, estou fazendo infinitas referências veladas a escritores de outro tempo e de outras línguas, línguas que já morreram. Não sei o nome da maioria deles, mas como bebi em fontes que surgiram de outras fontes, guardo a memória desta gente extinta. Sem o escritores, o mundo corre o risco de viver apenas o presente.

Fonte:
Jornal de Poesia http://www.jornaldepoesia.jor.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Academia de Letras do Brasil (Solenidade de Diplomação e Posse dos Acadêmicos em Piracicaba)

No Dia 12 de Agosto de 2009, na Cidade de Piracicaba ocorreu a Solenidade Oficial Pública, de Diplomação e Posse de Membros da Academia de Letras do Brasil - ALB.

A mesa foi composta por:
Presidente Nacional da ALB,
Presidenta da ALB/Piracicaba,
Membro da ALB/Minas Gerais e Presidenta do Clube Brasileiro da Língua Portuguesa,
Membro da Academia de Letras do Brasil/SP e Membro da Academia Mundial de Direito Internacional,
Presidenta da Cooperativa Cultural Brasileira da Capital de São Paulo,
Diretora da Biblioteca Municipal de Piracicaba, representando o Prefeito de Piracicaba,
Representante do Congresso Nacional Brasileiro,
Representante do Poder Judiciário, do Fórum Da Comarca de Piracicaba,
Deputados estaduais.
Representante da Câmara de Vereadores de Piracicaba.

A Abertura ocorreu com a execução do Hino Nacional Brasileiro pela Banda da Guarda Mirim de Piracicaba.

Diplomados pela Presidência da Academia de Letras Do Brasil, Dr. Mário Carabajal, Ph. I. pela ALB/Piracicaba

Cadeira 01 - Branca Tirollo. Patrono: Augusto Boal.

Cadeira 02 - João Gilberto Pompermayer Pereira. Patrono: Cora Coralina.

Cadeira 03 - Camila Giangrossi Meleke. Patrono: Fontoura Xavier.

Cadeira 04 - Daniel Ferraz De Campos. Patrono: José Luiz Guidotti.

Cadeira 05 - Adriano Schiavinatto. Patrono: Professor Doutor Matheus De Souza.

Cadeira 06 - Antonio Alleoni Corrêa De Godoy. Patrono: Frei Sigrist.

Cadeira 07 - Maria Alice Martins Sousa. Patrono: Rosimeire Michelucci.

Cadeira 08 - Ireni Maria Scherma Schiavinatto. Patrono: Antônio Carvalho Filho.

Cadeira 09 - Lia Helena Giannechini. Patrono: Nise Da Silveira.

Cadeira 10 - Antonio Frasseto Sobrinho. Patrono: Joel Silveira.

Cadeira 11 - Ana Maria Giusti Barbosa. Patrono: Martha Peregrino Da Silva

Cadeira 12 - Mário Aparecido Aversa. Patrono: Antônio Gonçalves Da Silva

Cadeira Vitalícia 13/ALB/Bahia - Everaldo Cerqueira. Patrono: Hermes Fontes.

Cadeira Vitalícia 01/ALB/Paraná - José Feldman. Patrono: Paulo Leminski

Cadeira Vitalícia ALB/ São Paulo: e Título de Doutor Honoris Causa, Ph. I.: Marly Nascimento Brasiliense.

Em seguida todos os acadêmicos fizeram juramento de compromisso.

O presidente da ALB, Dr. Mário Carabajal deu posse vitalícia aos escritores togados e diplomados da ALB, aos 12 dias do mês de agosto, na Cidade de Piracicaba, em São Paulo, atribuindo-se-lhes, às prerrogativas de Imortalidade Acadêmica, da Ordem de Platão, as suas Cadeiras, Nomes, Obras e Patronos.

A presidente vitalícia da Academia de Letras Do Brasil/Piracicaba/São Paulo, escritora Branca Tirollo, Ph.I. deu posse à Diretoria sa ALB/Piracicaba.
Vice-Presidente: Escritora Imortal Camila Giangrossi Meleke
Presidente Executivo: Escritor Imortal Gilberto Pompermayer
Secretário Geral: Escritor Imortal Daniel Ferraz De Campos
Promotor De Eventos: Escritor Imortal Adriano Schiavinatto

Foram realizados os Pronunciamentos dos Imortais Membros da ALB diplomados e empossados.
A seguir, foram homenageados com o Mérito Causas Imortais Da Academia De Letras Do Brasil:
Elizeu Tirollo
Hugo De Almeida Leme
Margarida Maria Mendonça Almeida Silva.
Professor Doutor José De Medeiros
Juiz Wander Pereira Rossette Junior
Clarice Zaia Elias
Deputado Roberto Felício
Deputado Federal Antonio Carlos De Mendes Thame
Deputado Estadual Roberto Morais,
Vereador João Manoel Dos Santos,

Foi entregue o Diploma "Doutor Honóris Causas - Ph.I. - Filósofo Imortal" aos Escritores

José Feldman – ALB/ Paraná
Everaldo Cerqueira – ALB/ Bahia
Nelson Maia Schocair – ALB/ Rio de Janeiro
João Gilberto Pompermayer Pereira, Presidente Executivo da ALB/Piracicaba/SP;
Doutor Samuel Antonio Merbach de Oliveira, Membro da Academia de Letras do Brasil e da Academia Mundial de Direito Internacional.

Pronunciamento das autoridades

Encerramento com Coquetel de Frutas, nos Padrões da ALB, especialmente preparado para esta ocasião.

José Feldman (1954)



José Feldman (São Paulo, 27 de setembro de 1954) é um escritor, poeta, trovador e gestor cultural paranaense.

Começou desde os 10 anos a mostrar aptidão para a escrita, ao escrever pequenos contos baseados em personagens de história em quadrinhos.

Com cerca de 13 anos de idade, começou a escrever as suas primeiras poesias.

Seus primeiros livros foram a coleção de Monteiro Lobato dada por seu pai, o qual conhecera Lobato pessoalmente, na época que lançava O Poço do Visconde. Com seu pai, o qual tocava bandolim, também aprendeu o gosto pela música.

Com cerca de 15 anos de idade participou de concursos de poesia sem sucesso.

Desde 1973, com uma fome enorme de conhecimento, realizou vários cursos, como Filosofia, Italiano , Inglês , Leitura Dinâmica e Desinibição e Criatividade, , Arte Dramática , Filosofia, Contabilidade, Administração de Empresas, Marketing, Técnicas Agropecuárias, além de diversas palestras e encontros de literatura.

No ICIB, pertenceu a diretoria cultural, promovendo diversos eventos musicais, além da Oficina de Trovas, ministrada pelo grande trovador Izo Goldman, e revelando talentos musicais dos jogadores do departamento de xadrez.

Começou a dar maior ênfase também à literatura, ao fazer, na Casa Mário de Andrade (Oficina da Palavra) o curso de Poesia Viva, com a poetisa Eunice Arruda, curso de literatura com Mario Amato, Ficção Cientifica na literatura e no cinema com o escritor de renome internacional, André G. Carneiro.

Foi membro da Casa do Poeta Lampião de Gaz (São Paulo).

Na literatura continuou tentando ainda concursos de poesia na Livraria Freitas Bastos e Scortecci, mas ainda sem sucesso.

Com as trovas, obteve pela primeira vez uma menção honrosa no Concurso de Santa Cruz do Sul (RS).

Casou-se em 1995.

Foi em 1999 para Curitiba, onde ficou longe da literatura e do xadrez. Não conseguindo se adaptar ao clima, mudou-se em 2001 o interior do Paraná, a cerca de 70 km de Cascavel (PR), onde reside até hoje.

Começou a se firmar ao ser eleito em 2001 como vice presidente da diretoria provisória, da Associação dos Literatos ALIUBI, tendo contato com poetas da região.

Foi nomeado representante da Delegacia Municipal, pela União Brasileira de Trovadores do Paraná, auxiliando na elaboração do Boletim Paraná em Trovas com a presidente da UBT Paraná Vânia Ennes, o secretário Nei Garcez e o grande trovador A. A. de Assis.

Participou de concursos de contos em Portugal e França, sem sucesso. Trabalhou com revisão de trabalhos e livros.

Percebendo o pouco acesso das pessoas à literatura, e mesmo o baixo nível de leitura, começou a ler muito e se dedicar a literatura, criando deste modo um boletim, de nome Singrando Horizontes, que era feito principalmente em dados obtidos na internet e revistas, que abrangia tudo de literatura (contos, crônicas, artigos, biografias, poesias, curiosidades da lingua, noticias do mundo, estudos de livros, etc.), e começou a distribuir por e-mail para inicialmente amigos, trovadores e associações.

Com o tempo foi descobrindo novos endereços e distribuiu em escolas, universidades, academias do Brasil Inteiro, além de Estados Unidos, Colômbia, México, Argentina e Portugal. Mas, pela enorme quantidade de conteúdo literário considerou muito pequeno o boletim, que conta atualmente com cerca de 100 páginas.

O Boletim foi indicado para ser inserido nos anais da Casa Legislativa Maçonica, que segundo as palavras do magistrado , Mestre Maçom e Deputado da Loja "Os Templários", de Curitiba, PR, Valter Martins de Toledo: "Existem alguns samaritanos da cultura/educação espalhados aqui e acolá, preocupados, sempre, com essa lamentável situação cultural da população brasileira. Eis que, vez por outra, surge em longínquos rincões pátrios, cidadãos de paciência franciscana e de porte intelectual incomum, verdadeiros abnegados, apresentando projetos de primeira qualidade, como é o caso do "Boletim Singrando Horizontes", editado pelo Professor José Feldman, no Paraná, recente, pois veio à lume em 2007 mas já fez publicar, via internet mais de 400 artigos de excelente qualidade literária e bom gosto temático, conforme bem o demonstra o Boletim n. 8, de 2008, nele realçando-se a excelente abordagem sobre Machado de Assis, em comemoração do seu centenário de nascimento. Iniciativa como esta, nos oferta esperança e merece aplausos, não podendo ficar desconhecida ou ser enviada para as prateleiras da história. Merece nosso apoio e gratidão, com votos parabenizatórios, e com a sua inserção nos anais desta casa legislativa maçonica".

Criou o Blog Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes (http://singrandohorizontes.blogspot.com/) seguindo os mesmos moldes do boletim, com muito mais conteúdo, postados diariamente, iniciado ao final de dezembro de 2007.

Com isto, começou a ficar mais conhecido devido a sua divulgação dos escritores, sendo convidado no mês de junho de 2008 a efetuar uma palestra na Academia de Letras de Maringá, onde discursou sobre o Panorama da Literatura no Brasil. Muitos escritores começaram a enviar seus textos e livros para apreciação crítica.

Em novembro de 2008, a convite do escritor Sorocabano Douglas Lara, passou a ser membro da ONE (Ordem Nacional dos Escritores), recebendo o medalhão das mãos do presidente da ONE, José Verdasca, em 19 de dezembro de 2008, no Gabinete de Leitura, em Sorocaba.

Nas palavras de Vãnia Maria Souza Ennes, presidente da UBT Estadual do Paraná: É com grata emoção que a diretoria da UBT Estadual do Paraná vem acompanhando seu magnífico trabalho, há mais de 1 ano. Dia após dia, Feldman, você se supera na arte de produzir, criar e disseminar a cultura poética e literária no âmbito nacional e internacional. Cada vez mais, podemos observar a sua sensibilidade que está exposta, claramente, no Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes, desde dezembro de 2007 a março de 2009 e que muito orgulha o nosso Paraná.É um belíssimo desempenho cultural !!! A oportunidade de poder apreciar seu site, ler, reler, participar, aprender com ele, são atitudes que nos induzem seguir adiante e, nos fazem muito bem. Portanto, receba nossos mais calorosos aplausos com as saudações trovadorescas.

Em março de 2009, foi convidado para a Cadeira Vitalícia da Academia de Letras do Brasil, pelo seu presidente, o Dr. Mario Carabajal, assumindo em 12 de agosto de 2009, em Piracicaba, representando o Estado do Paraná, na cadeira n.1, tendo por patrono Paulo Leminski, ocasião em que além de receber o diploma de imortal, recebeu o título de Doutor Honoris Causa das mãos do presidente da ALB.
Foi nomeado presidente da ALB/Paraná.

Discurso de Posse da Cadeira Vitalícia nr. 1 da Academia de Letras do Brasil/ Paraná



Exmo. Sr. Presidente da Academia de Letras do Brasil
Acadêmicos e Acadêmicas
Autoridades presentes
Caros senhores e senhoras

Foi uma longa caminhada que me trouxe à Academia de Letras do Brasil, e não estou falando apenas dos mil quilômetros que separam a cidade de Ubiratã, onde moro, de Piracicaba. Falo também do caminho que percorrem todos os escritores, o de descoberta e de aperfeiçoamento que, às vezes, leva a honrarias como a de pertencer a esta Casa. E, quando isto acontece, vive-se um momento de imprevisível emoção, um momento em que se percebe uma imensa paisagem literária, da qual, mesmo na condição de detalhe, somos integrantes. Então vemos que aqui somos rodeados por inúmeros escritores, alguns lendários em nossa vida e em nossa formação.

Ao tomar posse de uma Cadeira nesta Casa, quero afirmar ser apenas um sonhador e divulgador de homens e mulheres que compõem o panteão da literatura. Minha cultura literária, modesta devo confessar, foi adquirida através da leitura de livros de ficção, de poesia, de teoria literária e teatro.

Com orgulho ocupo esta Cadeira, mesmo reconhecendo a existência de outros que poderiam ser tão ou mais dignos do que eu. Contudo, espero, com meus escassos recursos, poder contribuir para uma vida sempre atuante desta entidade venerável, presença permanente na vida cultural de nosso Brasil.

Ao aceitar honrarias como a ocupação de uma Cadeira em uma Academia de tal porte, necessita-se ter consciência desta responsabilidade que se assume, que está sendo adicionada àquela que já faz parte dos afazeres. Segundo Nietzsche, quando assumimos tal encargo, precisamos construir nossos monumentos onde nos alicerces profundos nós ficamos.

Deve-se trilhar todas as estradas que existem no mundo, deixando um rastro de conhecimentos e um pouco de si em outras vidas.

Brasileiros valentes tiveram feitos notáveis, cada qual a seu modo, com dignidade e competência, mesmo em meio à injustiça social, à insegurança e à descrença. E ser escritor num país com dificuldades econômicas, culturais e sociais não é uma tarefa fácil para estes heróis nacionais, que muitas vezes não são reconhecidos. Mas não devemos ser descrentes, pois sem esperança não há vida. Ernest Hemingway em seu livro O Velho e o Mar, coloca que “o homem pode ser destruído, mas nunca derrotado”. Mas contribuímos pelo poder das palavras para o conhecimento de nós mesmos e para a descoberta de nossa identidade. Um país que não possui livros, nem músicas, nem danças, nem artes, nem manifestações culturais, não é um país, é apenas um núcleo de pessoas insatisfeitas. Como já dizia Monteiro Lobato: “Uma nação se faz com homens e livros”.

Aprendemos sempre e descobrimos sempre. Uma das coisas que aprendemos é homenagear os nomes que fizeram a literatura brasileira.

Para mim, está claro que aqui estou representando a literatura paranaense. Sou apenas um dos numerosos nomes que incorporam a ampla relação daqueles que fazem do Estado do Paraná o cenário e a motivação para sua literatura por outro lado, procuro fazer com que esta intensa mobilização reflita a importância da Academia de Letras do Brasil no cenário cultural brasileiro. Fernando Pessoa dizia “Para ser grande, sê inteiro; nada teu exagera ou exclui; sê todo em cada coisa; põe quanto és no mínimo que fazes; assim, em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive.”

Deste modo, assumo pois o compromisso de perpetuar o estandarte da literatura, participando do desenvolvimento e do engrandecimento do Brasil, pois tanto quanto dependemos dele, ele depende de nós. Nunca esquecendo e conservando aceso o lume daqueles que nos precederam na literatura ou nas demais artes, e deram suas vidas por este imenso país que é o Brasil.

Terminando, agradeço pela honra em pertencer a esta Casa e peço vossa permissão para algumas homenagens pessoais. Para meu pai, Moisés Feldman, que não vive entre nós para ver este momento, mas que mesmo com pouca educação formal, me legou seu amor aos livros e ao estudo através de sua formação moral e intelectual sem a qual eu não estaria hoje aqui. Para minha mãe, Mina, que felizmente vive, com orgulho para ver este momento na existência do filho que fizeram e criaram juntos. Se ele estivesse entre nós, não haveriam pais mais orgulhosos. Para minha mulher e companheira, sem cujo amor, dedicação, paciência e mesmo abnegação eu não seria capaz de viver. Para os meus professores em geral, que souberam, em meu tempo, transformar as instituições de ensino em verdadeiros centros de conhecimentos. E, deixo para o fim, por ser a mais importante, a homenagem ao povo de minhas duas terras. Morando no Paraná, estado que me acolheu em seu seio com ternura, estendendo seus braços para mim, não posso deixar de ser meio paranaense; tendo nascido em São Paulo, sou paulista. Agradeço, abraço e peço a bênção dos povos de São Paulo e do Paraná.
Obrigado a todos.

Discurso de Defesa do Patrono da Cadeira n.1: Paulo Leminski

Ao ocupar esta Cadeira, determinei defender como patrono, o poeta curitibano Paulo Leminski. Fornecerei uma pincelada fugaz sobre sua biografia para, subsequentemente explanar a que se deve a sua importância nesta ocasião.

Paulo Leminski nasceu em 1944, em Curitiba e faleceu em 1989. Era filho de pai polonês com mãe de ascendência africana. Desde a juventude sempre preferiu poemas breves, muitas vezes haicais. Foi professor e como escritor publicou livros de poesia, de prosa, biografias, ensaios, traduções de James Joyce, Samuel Becket, etc., literatura infanto-juvenil, produções musicais, fez gravações em parceria com músicos como Caetano Veloso e Itamar Assunção.

Sua poesia é consequência de um período que predominava a censura, mas ele não se vinculou a nenhuma corrente, apesar de conservar relações com elas. Sua poesia, como expõe Roland Barthes, pode ser considerada como resultado de experiências vividas que se traduzem em lirismo através da linguagem metafórica, do uso de recursos como ritmo, sonoridade, repetição de palavras, situações, descrições, seqüências. Leminski, como Borges, recriou muitas fábulas. Reescreveu o mundo que poderia ter sido e não foi. Reinventou o texto para contextualizar, contestar, protestar.

A poesia de Leminski não se evidencia unicamente pelo cunho empírico da escrita, mas também pelo dever do poeta de transmitir suas experiências cotidianas, escrever e reescrever a vida. Reescreveu as lendas e memórias dos emigrantes poloneses do sul do Brasil. Incorporou o sofrimento da voz no canto dos negros da África.

Ousou e experimentou muito na escrita, trabalhando artesanalmente com as palavras tocando-as nas texturas e harmonias, exequiveis e inexequiveis.

Leminski era um mago das palavras, construindo-as, desconstruindo-as, criando uma linguagem poética composta de características que permitem que novos elementos possam ser adicionados, tornando a poesia um horizonte infindável de composições. Ele manipulava de tal modo que as palavras se desdobrassem de forma que lhe davam novos significados, criando uma teia que se prendia dentro de outra teia, e assim por diante, num processo ininterrupto de criação.

Sua obra influenciou grande parte dos movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Leminski manifestava o questionamento às mistificações através do bom humor. O bom humor contra o preconceito e a injustiça, foi o instrumento com que desarmava os espíritos.

Por esse motivo, considero Leminsky uma escolha justa e seu patronato uma homenagem válida para a participação nesta egrégia instituição.

E, assim, encerro com sua poesia:
O Assassino era o Escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular
com um paradigma da 1ª conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético
de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.